Nova série de Glenn Close estréia terça; em entrevista, a atriz conta como o roteiro a conquistou

Depois de uma elogiada participação na policial “The Shield”, a premiadíssima Glenn Close entra definitivamente para o mundo das séries, e em grande estilo. Estréia nesta terça no AXN o drama “Damages”, série que levou quatro indicações ao Globo de Ouro 2008 – melhor série, melhor atriz, melhor ator e atriz coadjuvantes.
Glenn Close, que abocanhou o prêmio de melhor atriz, vive Patty Hewes, uma advogada poderosíssima e manipuladora envolvida num processo bilionário contra um empresário vivido por Ted Danson. O Séries Etc. (infelizmente, não nosso blog, que é “Séries e etc…”, mas o da Globo) conversou com a atriz, que foi categórica: o que a faz escolher entre cinema, TV e teatro é um bom roteiro; e do de “Damages” é excelente.

Você planejava fazer outra série depois de trabalhar em “The Shield”?
Não. Eu tive conversas com o presidente do FX depois de ter adorado fazer “The Shield”. Eu respeito a equipe do canal, amei sua paixão por histórias autênticas e por explorar as sombras da vida, por ter séries baseadas em personagens que também têm um roteiro ótimo. Então, claro, eu disse a eles que se algum dias eles tivessem alguma coisa em Nova York [risos] para que eles me avisassem – e assim surgiu “Damages”.

Para alguém que fez as duas coisas, é difícil a transição de cinema para TV?
A primeira vez que eu fiz televisão foi com Ted Danson (ex-“Becker”), logo depois do meu primeiro filme, “O Estranho Mundo de Garp” (“The World According to Garp”). Então eu fiz TV minha carreira inteira. Eu amo o ritmo da televisão e o potencial de audiência que esse meio tem. Eu já produzi coisas para TV várias vezes e estive em vários projetos, mas dá para dizer que essa é a primeira vez que eu estou estrelando na minha própria série. Para mim, a diferença de fazer cinema e TV é que TV é mais rápido, não precisa esperar tanto [para ver o resultado do trabalho]. Mas o que me faz escolher o que eu vou fazer, teatro, cinema ou TV, é o roteiro. Bons roteiros são bons roteiros não importa o meio e acho que a qualidade do roteiro de “Damages” é tão alta quanto a de qualquer filme, então isso me deixa muito feliz. Eu acho que o melhor da evolução da série até agora é como os roteiristas continuam a revelar aspectos dos personagens e se aprofundar nas relações. Para um ator, isso é sensacional.

O que a atraiu emocionalmente nessa história?
O que eu achei interessante quando me falaram da série é que os roteiristas não queriam apenas fazer um programa para entreter, eles queriam explorar o que dá poder a alguém, o que você faz para conseguir isso e o que acontece depois. Eu acho que o título “Damages” (danos ou perdas, em português) é absolutamente brilhante, porque todo mundo naquele processo sofre perdas de alguma maneira. A novidade para mim é que eu sempre entrei em trabalhos sabendo do começo e do fim e agora é a primeira vez que eu entrei num projeto sem saber nem como seria o final nem qual seria a duração da série. Tem coisas sobre minha personagem que eu ainda não sei porque os roteiristas ainda não elaboraram, a personagem é revelada a mim ao mesmo tempo em que é revelada para a audiência, então tem sido uma jornada maravilhosa.

Como é trabalhar numa história envolta em tanto mistério?
A gente senta em volta de uma mesa para ler o roteiro e todo mundo fica chocado, “Oh, meu Deus!” o tempo todo! [risos]. É como entrar num carro e não saber para onde estou indo, é divertido, é como viver um livro.

Para uma mulher que se dá bem num ambiente majoritariamente masculino, há um pesado fardo a carregar?
Eu acho que é sempre mais complicado quando você é uma mulher. Alguém como Patty Hewes ter chegado onde chegou num mundo dominado por homens é fenomenal. Claro que ela vai ser chamada de “vaca cruel” . A questão do sexo da protagonista é um aspecto interessante da história para mim, o que é, para uma mulher, estar no poder e como é para as pessoas receberem ordens e serem tão manipuladas por uma mulher em vez de um homem.

Patty Hewes é uma espécie de anti-heroína, mas na série os personagens são mais complexos que apenas “bons” ou “ruins”, o que faz da história mais interessante, você não acha?
Ela basicamente está do lado dessas pessoas que perderam tudo e querem uma compensação. É muito ruim o que acontece e se ela conseguir algum dinheiro para eles será muito bom. Como ela fará isso e até onde ela irá é um ponto muito bem explorado. Os limites da ética são explorados na história, a linha tênue que delimita até onde se pode ir, as escolhas individuais de cada um…

Como tem sido trabalhar com Ted Danson, Tate Donavan e Rose Byrne?
Como eu disse, eu conhecia Ted antes, tivemos uma experiência extraordinária em “Something about Amelia” nos anos 80. É demais ver Ted se envolvendo com tanto afinco em algo que um monte de gente dizia que ele não conseguiria fazer ou nunca pensou nele assim. Acho que Ted tem sido fenomenal, e os roteiristas têm escrito cenas maravilhosas para ele, o personagem é assustador, sem limites, narcisista, em vários níveis. As cenas que temos juntos são ótimas. Eu não conhecia Tate e Rose e conhecê-los dentro do contexto da série foi maravilhoso. Vejo Rose se envolver e crescer no que vai acontecendo com ela, viver à sombra de Patty Hewes. É muito bom trabalhar com Tate, ele é muito engraçado. Assistindo a suas cenas dá para ver que ele é muito bom, seu trabalho é muito sutil e poderoso, ele mostra como é para um homem ser o número dois, responder a uma mulher.


http://tv.globo.com/Entretenimento/Tv/Noticia/0,,AA1672067-7175,00-NOVA+SERIE+DE+GLENN+CLOSE+ESTREIA+TERCA+EM+ENTREVISTA+A+ATRIZ+CONTA+COMO+O+.html

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