Cresce o número de séries nacionais na televisão

Dramaturgia no Brasil é sinônimo de novela. Mas, com o crescimento da televisão paga e o sucesso de séries como Dr. House e Heroes esse formato já começa a se destacar na programação de emissoras abertas e fechadas.

Mesmo assim, os profissionais que trabalham no segmento reconhecem que não é fácil emplacar um produto nesses moldes.

Autores, diretores e produtores enfrentam orçamentos baixos, horários pouco comerciais e o compromisso de conseguir audiência com rapidez para superar as limitações. Tudo isso acaba compromento o texto.

Alexandre Machado, que assinou com a mulher, Fernanda Young, os textos de O Sistema, Os Normais, Minha Nada Mole Vida e Os Aspones, da Globo, que o diga. “Nunca pensamos em algo sensacional. Temos de criar algo que nos satisfaça e, ao mesmo tempo, dê Ibope”, afirma.

Com essa obsessiva busca por audiência, as condições de trabalho não são muito vantajosas na televisão aberta. “As emissoras fechadas têm capacidade de desenvolver produtos mais interessantes que os nossos. Na Globo, ficamos muito presos ao humor e a às novelas”, opina José Alvarenga, diretor de programas como A Diarista e Os Normais.

Domingos de Oliveira, que foi chefe da equipe de criação de séries da Globo na década de 70, vai ainda mais longe. “A televisão aberta não tem o menor compromisso com a cultura e com a arte”, critica.

Enquanto na televisão aberta a maior dificuldade é adaptar o texto às estratégias para alavancar audiência, na televisão paga a discussão é outra.

A série Mothern, do GNT, por exemplo, foi idealizada nos moldes de um canal fechado e, por isso mesmo, direcionada para as classes A e B. Mas, apesar disso, o texto nem sempre sai exatamente como o roteirista planeja. E, na maioria das vezes, por falta de condições de realizar todas as cenas imaginadas. “Na sala de roteiro mesmo a gente já lê e filtra tudo que não é viável”, explica Luca Paiva Mello, diretor da série.

Para viabilizar a produção de séries nacionais da televisão paga, é cada vez mais comum a associação entre emissoras e produtoras. Esse já é o caso de Mothern, MandrakeAlice, que também estréia na HBO ainda em 2008, provavelmente no segundo semestre.

Caio Gullane, produtor da série, conta que não tem problemas de orçamento na hora de gravar. Isso porque o custo das séries produzidas pela HBO é diluído com a transmissão do programa em mais de 150 países. “Cada episódio sai por quase R$ 1 milhão e essa despesa é toda da emissora”, gaba-se.

Mesmo em um cenário tão complicado para emplacar séries, duas equipes da televisão aberta não têm do que reclamar. Longe de problemas de orçamento e de limitações no texto, A Grande Família se prepara para emplacar seu oitavo ano na Globo.

Pensada inicialmente para ter uma temporada especial de três meses com textos adaptados da versão original, o programa acabou ganhando espaço na grade da emissora e garantiu até uma cidade cenográfica. “No nosso caso, acho que a televisão fechada poderia nos limitar”, brinca Bernardo Guilherme, um dos autores da série.

Ecila Pedroso, que escreve com Mara Carvalho os episódios de Carga Pesada, concorda. “Por ser na Globo, conseguimos um bom patrocínio da Wolks. Acredito que esse investimento deve sustentar as nossas cenas externas”, confessa.

Mas, para Bernardo, nem sempre foi assim. O autor participou de outro projeto na emissora que não tinha um orçamento tão farto. “Na época do Sai de Baixo, era muito difícil lidar com a falta de opções de cenário. Nosso espaço se resumia a um palco”, lembra.

Saída no humor Por se tratarem de produções mais baratas e com mais apelo popular, séries humorísticas como A Grande Família, Toma Lá, Dá Cá, Sob Nova Direção e Sai de Baixo levaram a melhor na disputa por um espaço na televisão aberta.

E, para Alexandre Machado, não é só isso que facilita a aceitação do gênero. “O humor faz parte da cultura nacional. Aliada a isso, a busca obsessiva pela audiência impede ousadias. Assim é difícil surgir um texto brilhante”, critica.

Antônio Calmon, que escreveu na década de 80 a Armação Ilimitada, concorda. “Perto de um seriado como Roma, nossas novelas parecem filmes infantis”, argumenta o escritor, que apesar disso, prefere escrever folhetins. “Série é uma ejaculação precoce; novela, um encadeamento de orgasmos múltiplos”, filosofa.

Para José Alvarenga, é preciso buscar uma variedade de temas o mais rápido possível e aproveitar a abertura que a cultura americana está dando para novos formatos atualmente. “Já conseguimos concorrer ao Emmy e isso é um estímulo e tanto em um mercado dominado pelos Estados Unidos”, afirma.

Domingos de Oliveira defende um prazo maior para atestar o sucesso ou fracasso de uma série. Segundo ele, isso facilitaria as equipes de criação e produção. “Quanto mais episódios, menor o custo e maior a disponibilidade de investimento em bons profissionais”, justifica.


Fonte : Terra

Uma opinião sobre “Cresce o número de séries nacionais na televisão

  1. Gosto das séries brasileiras (não de todas, claro, aliás, de uma minoria). Tiro o chapéu para Fernanda e Alexandre, por exemplo. Adorava OS NORMAIS. Das séries americanas, não sou muito fã das atuais… gosto bastante de LOST e a melhor de todos os tempos, minha paixão mesmo, é ANOS INCRÍVEIS… Só de escutar a música With a Little Help From My Friends já me emociono.Abraços e dê um pulo no meu bloghttp://www.blogonews.blogspot.com

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